Respostas para os principais desafios do cooperativismo estão no 16º Concred

06/08/2026 12:18

Em Goiânia, mais de 60 especialistas vão discutir, entre 26 e 28 de agosto, os caminhos do cooperativismo de crédito diante de riscos ambientais e transformação digital

Uma cooperativa de crédito aprova financiamento para um produtor rural que perdeu parte da safra na seca. No mesmo mês, libera capital de giro para o pequeno comércio de um bairro que sente o aperto do crédito bancário tradicional. As duas operações partem da mesma lógica: decidir onde aplicar recursos que pertencem aos próprios associados. Mas exigem respostas diferentes conforme mudam os cenários econômico, climático e tecnológico.

É esse tipo de decisão, multiplicada por milhares de cooperativas espalhadas pelo país, que vai orientar a programação do 16º Concred. O evento acontece entre os dias 26 e 28 de agosto, no Centro de Convenções da PUC Goiás, em Goiânia, e reúne mais de 60 palestrantes ao longo de três dias de painéis, palestras e rodadas de negócios.

A programação foi construída a partir da relação entre o crédito rural e o urbano, unidos pela ideia de sustentabilidade financeira de longo prazo. Organizado em cinco eixos temáticos, o congresso reúne debates sobre risco climático, inteligência artificial, governança, intercooperação e cenários macroeconômicos. Para Luiz Lesse, presidente da Confebras, o Concred funciona como um espaço de convergência para o cooperativismo de crédito.

“Reunimos especialistas, lideranças e profissionais de diferentes áreas porque acreditamos que os grandes desafios do cooperativismo de crédito exigem reflexão coletiva. O Concred é o espaço onde esse diálogo acontece e se transforma em conhecimento para todo o setor”, explica.

Do campo à cidade: o crédito sob risco climático
O primeiro eixo da programação, “Da Raiz à Rede”, parte da pergunta: como transformar risco climático em oportunidade de desenvolvimento sem descolar o crédito rural da realidade do território onde ele é aplicado? O tema nasce de um desafio conhecido pelas cooperativas com forte atuação no agronegócio, que dependem de safras sujeitas a estiagens e chuvas irregulares, fatores que influenciam diretamente a inadimplência e o planejamento das operações de crédito.

A escolha de Goiânia como sede reforça esse recorte. Luiz Lesse avalia que realizar o congresso em um estado de forte presença agrícola reconhece a importância do cooperativismo financeiro fora dos grandes centros urbanos.

“É uma iniciativa que reconhece e valoriza a força do coop financeiro em estados com grande presença no agro e na produção, e que contribui para o fortalecimento do nosso movimento em nível nacional”, comenta.

O montante movimentado no estado ajuda a dimensionar esse cenário. Segundo o presidente do Sistema OCB de Goiás, Luís Alberto Pereira, os cooperados goianos já colocaram mais de R$ 43 bilhões em ativos nas cooperativas de crédito, volume que representa parcela significativa dos recursos movimentados na economia local.

Tecnologia e IA: até onde os dados decidem
O segundo eixo, dedicado à tecnologia a serviço do humano e da sustentabilidade, discute um dilema que já faz parte da rotina do setor financeiro: até que ponto dados e automação substituem, ou apenas apoiam, decisões que dependem da relação de confiança entre cooperativa e associado. A questão interessa diretamente ao cooperativismo de crédito, que historicamente se diferencia da banca tradicional pela proximidade com quem toma o empréstimo.

Na programação, o tema aparece em painéis como o de Silvio Meira, que discute como liderar a digitalização do setor sem abrir mão do que sustenta o modelo cooperativo, e o da advogada Patricia Peck Pinheiro, que aborda a regulação da inteligência artificial no país. Michel Alcoforado, especialista em comportamento do consumidor, completa esse bloco ao relacionar tendências de consumo ao uso de dados na gestão das cooperativas.

No cooperativismo de crédito, esse debate ganha características próprias. A automação promete ampliar a eficiência operacional, mas a governança das cooperativas continua baseada em decisões coletivas e na proximidade com o associado. É justamente essa convivência entre inovação tecnológica e identidade cooperativista que os painéis do segundo eixo colocam em discussão.

Liderança, governança e saúde no trabalho
O terceiro eixo discute como formar dirigentes capazes de sustentar o crescimento sem perder os valores que caracterizam uma cooperativa. A programação reúne temas que vão da comunicação e da governança à saúde mental e ao futuro do trabalho.
Marcos Veras leva ao palco uma discussão sobre liderança humanizada e comunicação dentro das organizações. A psicanalista Maria Homem debate o que chama de uma nova liderança para um novo tempo, enquanto o especialista em futuro do trabalho Genesson Honorato trata da atenção como recurso escasso nas rotinas de gestão. Um dos painéis do último dia também aborda a NR-1, norma que inclui a saúde mental entre os fatores relacionados à segurança do trabalho, aproximando o tema da gestão de pessoas nas cooperativas.

Escala e cenário: intercooperação
Os dois últimos eixos tratam de uma questão estrutural para o setor: como cooperativas individualmente pequenas conseguem competir com bancos de grande porte sem perder a autonomia local? A programação aposta na intercooperação como um dos caminhos para ampliar escala por meio do compartilhamento de infraestrutura, tecnologia e negócios, preservando a identidade de cada instituição.

Esse debate ganha corpo em umtalk show que reúne dirigentes do Sicredi, da Cresol, do Sicoob e da CrediSIS para discutir as forças que devem moldar o cooperativismo financeiro até 2030, e em um painel sobre infraestrutura compartilhada dentro do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. Outros painéis tratam da entrada das cooperativas no mercado de seguros, do papel do Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito e da evolução doOpen Finance no país.

O quinto eixo amplia a discussão para o cenário macroeconômico e regulatório. Um dos painéis reúne o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, para discutir a resiliência do cooperativismo de crédito diante de desafios organizacionais e macroeconômicos, enquanto outro analisa os impactos da geopolítica global sobre os negócios do setor.

Sobre o Concred
O 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred) é organizado pela Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), com correalização do Sistema OCB/GO, apoio institucional do Banco Central do Brasil, patrocínio master do Sistema OCB, patrocínio do CrediSIS, Cresol, Consórcio Embracon, Icatu Coopera, MAG, Mapfre, Sicoob, Sicredi, Tecban, Ubots e Unicred, apoio local da Cresol, Sicredi Planalto Central, Sicredi Cerrado GO, Sicoob Nova Central, Sicoob Uni e Sicoob Unicentro Brasileira e outras organizações que acreditam no evento e no poder transformador do coop financeiro.

Fonte: concred.coop.br