
Ariel: além do impacto econômico, o cooperativismo exerce um papel relevante na promoção do diálogo, da cooperação e da democracia
O cooperativismo pode disputar o poder real no mundo e oferecer respostas concretas aos desafios da concentração econômica, da crise de representação política e do enfraquecimento dos organismos multilaterais. A avaliação é de Ariel Guarco, presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI), entidade que representa mais de 1,2 bilhão de cooperativistas em todos os continentes.
À frente da ACI desde 2017, Guarco defende um modelo econômico baseado na democracia, na comunidade e no desenvolvimento territorial, capaz de gerar impacto econômico relevante sem abrir mão de valores sociais e humanos.
Cooperativismo em escala global, com impacto distribuído
Segundo Ariel Guarco, o cooperativismo está longe de ser uma alternativa marginal. O movimento reúne mais de três milhões de cooperativas, gera mais de 300 milhões de empregos diretos e, se fosse comparado a uma economia nacional, equivaleria à quinta maior economia do planeta.
A principal diferença em relação aos modelos econômicos tradicionais, destaca o dirigente, é que esse poder não se concentra. Ao contrário, ele se distribui por milhares de economias locais, sustentando empregos, serviços essenciais e o desenvolvimento de comunidades inteiras.
Economia centrada nas pessoas e no trabalho
Ao abordar o conceito de uma economia centrada nas pessoas, Guarco retoma uma ideia recorrente do Papa Francisco: “ninguém se salva sozinho”. Para ele, quando a economia deixa de servir às pessoas, ao trabalho e ao desenvolvimento local, passa a aprofundar desigualdades e fragilizar a coesão social.
Nesse contexto, o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU), que declarou 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas, fortalece uma agenda global voltada a modelos econômicos mais resilientes, sustentáveis e conectados à construção de comunidades fortes.
O papel do Estado no fortalecimento do cooperativismo
Guarco destaca que diversos países vêm adotando políticas públicas específicas para transformar o cooperativismo em um componente estrutural de suas economias. A criação de ambientes regulatórios favoráveis e o reconhecimento do setor como ator estratégico de desenvolvimento são medidas recomendadas também por organismos internacionais.
Para o presidente da ACI, essas iniciativas reforçam que o cooperativismo não deve ser visto apenas como um modelo empresarial alternativo, mas como uma ferramenta eficaz de desenvolvimento econômico com inclusão social.
Cooperativismo, democracia e diplomacia social
Além do impacto econômico, o cooperativismo exerce um papel relevante na promoção do diálogo, da cooperação e da democracia. Em um cenário global marcado por conflitos, individualismo e descrédito das instituições, o movimento cooperativo demonstra, na prática, que é possível gerir organizações de forma democrática e decidir coletivamente o destino dos resultados gerados.
Essa capacidade de construir consensos e gerar vínculos entre diferentes atores sociais posiciona o cooperativismo como uma alternativa concreta diante da crise de confiança nas formas tradicionais de organização política e econômica.
A força do cooperativismo na Argentina
Na Argentina, cerca de 25 milhões de pessoas participam ou são atendidas por cooperativas e mutualidades, o que representa aproximadamente 60% da população. O cooperativismo atua de forma decisiva em setores estratégicos e na prestação de serviços essenciais, especialmente em regiões onde o mercado tradicional não chegou com a mesma intensidade.
Para Ariel Guarco, o desafio do movimento cooperativo é ampliar o diálogo com outros setores da sociedade — como universidades, sindicatos, governos e organizações civis — e contribuir para a construção de uma economia mais inclusiva, democrática e menos orientada exclusivamente pelo individualismo.
Fonte: Portal do Cooperativismo Financeiro.