São Roque de Minas consolida força do agro e figura entre as maiores rendas per capita rurais de Minas Gerais

24/04/2026 11:17

São Roque de Minas se destaca no cenário estadual ao ocupar a terceira posição entre as cidades agropecuárias com maior renda per capita de Minas Gerais, segundo dados do Censo 2022 do IBGE. A renda nominal mensal domiciliar per capita alcança R$ 2.002,71 — indicador que traduz não apenas a força produtiva local, mas um ambiente de prosperidade crescente, sustentado pela geração contínua de riqueza no campo.

Esse desempenho econômico está fortemente associado ao café, principal ativo produtivo da região e grande motor da economia. Na safra 2025/2026, a cultura ocupa cerca de 10 mil hectares, com produtividade média estimada em 25 sacas por hectare, projetando uma produção total de aproximadamente 250 mil sacas. Considerando o valor médio de R$ 1.700 por saca no mercado atual, o café deve movimentar cerca de R$ 425 milhões ao longo do ciclo — um volume expressivo de recursos que circula na economia local, impulsionando negócios, serviços e o desenvolvimento regional.

Mais do que números, esses resultados refletem a capacidade de transformar produção agrícola em riqueza distribuída. O dinamismo econômico vai além do café: a região registra safras relevantes de manga, abacate, soja e milho, consolidando um modelo de policultura que amplia oportunidades, reduz riscos e fortalece a estabilidade no campo. A pecuária também tem papel importante, com destaque para a produção de leite, carne e, sobretudo, o tradicional Queijo Minas Artesanal da Serra da Canastra, símbolo de identidade e valor agregado reconhecido nacional e internacionalmente.

Esse ambiente produtivo diversificado fortalece a formação de capital local e a poupança interna, pilares essenciais para a prosperidade sustentável. Um reflexo claro disso é o crescimento consistente dos indicadores financeiros vinculados ao cooperativismo de crédito, representado pelo Sicoob Sarom, cooperativa fundada na cidade. Entre 2016 e 2025, a formação de poupança interna — medida pelo PIC (Poupança Interna Cooperativa), indicador que avalia a capacidade de geração de riqueza dos cooperados por meio de depósitos, capital social e fundos de reserva — apresentou crescimento real médio de 10,52% ao ano, já descontada a inflação. Trata-se de um sinal concreto de geração de riqueza e de confiança da população na economia local.

Essa trajetória de prosperidade também é resultado de iniciativas estruturantes ao longo das últimas décadas. O Sicoob Sarom, fundado em 1991, teve papel decisivo na expansão cafeeira da região. Antes desse processo, havia cerca de 350 mil pés de café; hoje, esse número chega a aproximadamente 30 milhões. Entre as estratégias adotadas, destaca-se a criação de um viveiro de mudas que viabilizou o acesso dos produtores à renovação e ampliação das lavouras. O modelo, baseado na devolução de parte da produção, estimulou o crescimento do setor e contribuiu para a consolidação do parque cafeeiro atual. Os recursos gerados retornaram à própria comunidade, financiando projetos sociais como a Cooperativa Educacional Sarom (CES), um exemplo claro de como a riqueza produzida no campo pode se transformar em desenvolvimento social.

Segundo João Carlos Leite, presidente do Sicoob Sarom, iniciativas como essa ajudaram a consolidar um ciclo virtuoso de crescimento. “Construímos mecanismos que permitiram ao produtor crescer com apoio técnico e financeiro, gerando renda, fortalecendo o cooperativismo e criando bases sólidas para o desenvolvimento sustentável”, destaca.

Além do café, houve atuação ativa na valorização de cadeias produtivas estratégicas. A articulação para o reconhecimento e a regularização do Queijo da Canastra foi fundamental para posicionar o produto como uma iguaria de prestígio internacional, agregando valor e ampliando mercados. Nesse contexto, também foram fortalecidas associações como a ACanastra (café) e a Aprocan (queijo), que desempenham papel essencial na organização produtiva e na promoção da riqueza regional.

O caso de São Roque de Minas demonstra como a combinação entre vocação agrícola, organização produtiva, acesso ao crédito e visão de longo prazo pode gerar prosperidade real e duradoura. Mais do que um polo agropecuário, consolida-se como um território de riqueza em expansão, onde tradição e inovação caminham juntas, elevando a qualidade de vida da população e projetando o município como referência no cenário estadual e nacional.