
A busca pela valorização e pela agregação de valor aos cafés especiais das Terras Altas de Minas deu um importante passo no último dia 9 de abril. O evento, realizado no Instituto Federal do Sul de Minas – Campus Inconfidentes, reuniu 165 participantes, entre cafeicultores, lideranças do setor e representantes de instituições parceiras, em torno de um objetivo comum: fortalecer a identidade regional e ampliar a competitividade do café produzido nesses municípios.
O projeto engloba os municípios de Albertina, Borda da Mata, Bueno Brandão, Inconfidentes, Jacutinga, Monte Sião, Ouro Fino e Tocos do Mogi, que estão unidas na construção de estratégias para o reconhecimento e a valorização da produção cafeeira local.
Durante o encontro, os participantes conheceram as etapas necessárias para a obtenção da IG — um selo que reconhece a origem e a qualidade diferenciada de produtos vinculados a determinado território. O primeiro passo será a criação de uma associação de produtores, que deverá contar com, no mínimo, 22 integrantes. Logo no início da mobilização, 27 produtores já manifestaram interesse em integrar a iniciativa.
A iniciativa conta com o apoio da Cafeeira Boa Vista, Cooapeja, Emater-MG, GEcafés, IF Sul de Minas, prefeituras locais, Sebrae, Senar, Sindicato dos Produtores Rurais de Ouro Fino, Sicoob Circuito das Águas, Sicoob Credivass e Sicoob Sarom.
A programação contou ainda com momentos de integração, incluindo um café oferecido pelas cooperativas do Sicoob e o sorteio de 30 brindes aos participantes. Três palestras enriqueceram o evento, trazendo experiências e perspectivas relevantes para o projeto.
O presidente do Sicoob Sarom, João Carlos Leite, compartilhou a palestra “Experiência com a Indicação Geográfica do queijo e café da região da Canastra”, destacando os impactos positivos da certificação para os produtores.
“A Indicação Geográfica transforma não só o produto, mas toda a realidade de uma região. Ela valoriza o trabalho do produtor, fortalece a identidade local e abre portas para novos mercados. O que vimos no Território da Canastra mostra que, com união e organização, é possível alcançar resultados expressivos também aqui”, afirmou.
Também compuseram a programação a palestra “Case Café Região Vulcânica”, com Ulisses Ferreira de Oliveira, diretor executivo da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica, e “Cooperação: a nova realidade dos negócios”, ministrada por Valdir Jorge Ferreira, consultor do Sebrae.
A proposta do projeto vai além da certificação: inclui a realização de cursos e treinamentos voltados à melhoria da qualidade dos cafés, incentivando boas práticas e inovação no campo.
Com adesão inicial expressiva e forte articulação institucional, a expectativa é de que a região das Terras Altas de Minas consolide, nos próximos anos, uma nova referência em cafés de origem no Brasil, ampliando oportunidades para os produtores e fortalecendo a economia local.