Crescer é só o começo: o desafio agora é decolar o comissionamento.

02/04/2026 12:15

O comissionamento tem papel direto na composição das receitas das cooperativas, contribuindo para diversificação de fontes e aumento da eficiência financeira. Em 2025, ele adicionou R$ 88 milhões no caixa das filiadas. Nesse contexto, o Sistema Regional apresentou crescimento de 6,35% em relação ao ano anterior (2025 x 2024).

Ainda assim, a participação no comissionamento nacional permaneceu em 2,28%, evidenciando espaço para ganho de relevância dentro do Sicoob. Para 2026, a nossa meta é atingir a participação de 3%.

Diante desse cenário, a reflexão é objetiva: o quanto o Sistema Regional está estruturando estratégias consistentes para ampliar o comissionamento e transformar esse potencial em crescimento efetivo de receita ao longo de 2026?

No início deste ano, os resultados já indicam que há espaço para acelerar o avanço do comissionamento no Sistema Regional. Enquanto algumas cooperativas vêm evoluindo de forma consistente, outras ainda apresentam desempenho abaixo do esperado, revelando um cenário desigual dentro da própria base.

Esse descompasso, no entanto, reforça um diagnóstico que vem se consolidando: o desafio já não está na estratégia, mas na execução.

O cooperado já consome produtos financeiros, mas nem sempre dentro do sistema. Seguros, consórcios e demais serviços financeiros continuam sendo contratados em instituições tradicionais, enquanto a cooperativa permanece, muitas vezes, associada ao crédito ou a demandas pontuais. E aqui está uma das principais oportunidades de crescimento.

Parte desse cenário está ligada a uma postura ainda reativa. A força de venda opera a partir da demanda espontânea, aguardando o cooperado ir até a agência. O problema é que o consumo de produtos financeiros não acontece nesse momento. Ele ocorre no dia a dia, fora da agência, quando decisões são tomadas.

Diante disso, torna-se necessária uma atuação mais ativa e consultiva. Trata-se de compreender o momento do cooperado, antecipar necessidades e oferecer soluções com relevância.

O desafio agora é direcionar energia. Focar onde há maior retorno, sem perder a essência do relacionamento que sustenta o modelo cooperativista. Consórcios, cartões, seguros — especialmente o de vida — e soluções ligadas à cobrança e adquirência, por exemplo, concentram maior potencial de geração de comissionamento e assumem papel estratégico nesse momento.

Todo esse processo vem sendo acompanhado de perto pelo time da Central a partir da criação de um grupo formado pelas 14 cooperativas representadas no Conselho de Administração da Central e Corretora. O nosso propósito é “liderar pelo exemplo” e, para isso, em dezembro, a Cecresp apresentou estudos sobre comissionamentos e cada cooperativa definiu sua MCI (Meta Crucialmente Importante) para 2026. Durante este ano, realizaremos encontros periódicos para troca de experiências, alinhamento e monitoramento dos resultados para, assim, ganharmos maior repertório e compartilharmos com outras singulares.

No médio e longo prazo, o avanço do comissionamento representa uma mudança estrutural. O fortalecimento das receitas por meio da intermediação de produtos reduz a dependência do crédito, equilibra o modelo de negócios e dilui riscos, tornando o ambiente mais competitivo. No modelo cooperativista, esse resultado retorna ao próprio cooperado, fortalecendo a singular e ampliando os benefícios para quem faz parte dela.