Ênio Meinen: somos o sexto agente de todo o mercado financeiro brasileiro
O que é uma cooperativa de crédito ou instituição financeira cooperativa? Por que escolher uma cooperativa financeira ao invés de um banco tradicional para fazer negócios? Quais os riscos desse modelo de negócio? No dia 16 de julho, o diretor de Operações do Banco Cooperativo do Brasil do Brasil (Bancoob) e do Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob), Ênio Meinen, deu respostas a essas e outras questões na live promovida pela IstoÉ Dinheiro. Um dos nomes mais renomados do cooperativismo de crédito do País, Meinen foi entrevistado pelo editor de Finanças da revista IstoÉ Dinheiro, Carlos Valim. Nós somos o sexto agente de todo o mercado financeiro brasileiro, disse Meinen. Na conversa, quase que uma aula de cooperativismo financeiro, o dirigente do Bancoob e do Sicoob revisitou as origens do cooperativismo, lembrou dos anos desérticos para as cooperativase avaliou o papel delas diante das crises (econômica e financeira) atual e como são alternativas de acesso ao crédito liberado pelos diversos mecanismos criados pelo governo para proteger as pequenas e médias empresas. As instituições financeiras cooperativas já formam a segunda maior rede de atendimento de serviços bancários do país, somando mais de 6 mil pontos de atendimento, 12 milhões de associados, presente em mais de 5 mil municípios brasileiros. Meinen também falou sobre o bom momento que o cooperativismo vem vivendo nos últimos anos, apesar das crises econômicas e de baixo crédito dos últimos meses. O sistema financeiro cooperativo vem registrando expansão, aumentando e democratizando o acesso aos recursos financeiros, afirmou. A carteira de crédito cooperativo chegou a crescer até 25%. Proporcionalmente, a quantidade de pessoas jurídicas, principalmente de pequenos negócios, que acabam compondo o quadro social das cooperativas é o dobro do das pessoas físicas, informou. Há 35 anos no setor, Meinen dedica-se ao fortalecimento e à busca de melhorias para o segmento e experiências no cooperativismo financeiro. Neste ano, a expansão, se nós pegarmos de janeiro a julho, também tem se mantido na ordem de 30%, principalmente para o segmento do pequeno negócio. Geralmente, são aqueles que não conseguem barganhar com o seu relacionamento num sistema bancário convencional e não têm poder de fogo, esclareceu. Meinen disse que o principal objetivo das cooperativas é promover o desenvolvimento econômico e social dos seus cooperados, proporcionando serviços financeiros a custos inferiores em relação aos do sistema financeiro bancário tradicional. Durante a entrevista em live, o dirigente explicou que as cooperativas financeiras (ou cooperativas de crédito) oferecem praticamente os mesmos serviços que os bancos conta corrente, cartões de crédito e débito, poupanças e outras aplicações, linhas de crédito entre outros. No entanto, uma cooperativa financeira é uma sociedade de pessoas, e não de capital, por isso não visa lucro. Sendo assim, os associados têm acesso a tarifas e taxas de juros diferenciados nas operações financeiras, além de participarem das decisões e dos resultados econômicos (sobras) da instituição, ao final de cada exercício. O sócio é o dono, explicou o executivo. Em termos práticos, quem abre uma conta não é apenas um cliente ou um acionista, mas sim um dos proprietários. Ao invés dos ganhos irem para um pequeno grupo de acionistas, o resultado gerado é dividido com os cooperados. Trata-se de um modelo mais sustentável, igualitário e democrático, sustentou. Ênio Meinen, que também é advogado, ao analisar o cenário econômico-financeiro e o crescimento do cooperativismo, média 20% nos últimos anos, disse que é com as baixas taxas que as cooperativas de crédito ganham espaço e maiores chances de adesão da população. Além disso, o acesso fácil e rápido a linhas de crédito com juros melhores do que os praticados no mercado, são também um diferencial em relação às instituições financeiras tradicionais. Meinen destacou que as cooperativas oferecem as mesmas garantias de um banco, ou seja, R$ até 250 mil por CPF ou CNPJ, em caso de intervenção ou de liquidação extrajudicial. E acrescentou que os cooperados contam com o Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop), auditorias próprias, externas e das Centrais que compõem o Sistema. Uma das razões para ainda ser desconhecido pela maioria do público, o diretor de Operações do Bancoob e do Sicoob explicou que a culpa talvez seja nossa, de comunicação. Ela poderia ser um pouco mais impactante se pudesse explorar um pouco mais os diferenciais societários. A gente tem consciência disso e estamos começando a mudar. Tenho que entregar comodidade, segurança e, enfim, melhorar meus processos. Nosso grande desafio é fazer diferente para alcançar o mesmo resultado de uma grande instituição bancária. Ser competitivo e continuar oferecendo serviços mais baratos do que os bancos tradicionais, finalizou.