Lançamento oficial do 13º Concred reuniu autoridades governamentais, cooperativas, especialmente de crédito, e outros parceiros da Confebras
O Nordeste brasileiro abriga cerca de 53 milhões de habitantes, sendo a segunda região mais populosa do Brasil, perdendo apenas para o Sudeste. Apesar disso, o percentual da população associada a cooperativas representa somente 0,8% do total, muito abaixo do número de brasileiros cooperativados, que chega a 4,2%. O dado é um dos determinantes para que a Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras) realize o 13º Concred (Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito) no Recife, em outubro do próximo ano. Um dos focos principais do evento é promover uma transformação econômico-social na Região Nordeste, semear a cultura do Cooperativismo de Crédito e buscar a ampliação da atuação das cooperativas do setor.
O Cooperativismo é um agente transformador da realidade das pessoas. Queremos estabelecer estratégias para que o Nordeste tenha mais pessoas cooperativadas, para que as pequenas comunidades possam ser ajudadas para impulsionar a cultura, o artesanato, o pequeno produtor, a prosperidade local. Recife está no coração do Nordeste e daqui queremos fazer essa transformação transbordar para a região, defendeu o presidente da Confebras, Kedson Macedo na abertura do evento.
O 13º Concred foi lançado oficialmente no dia 20 de novembro, durante café da manhã realizado no Radisson Hotel reunindo cerca de 50 pessoas, entre representantes de autoridades governamentais, cooperativas, especialmente de crédito, e outros parceiros da Confebras. Ainda participaram da cerimônia o presidente do Sistema OCB/PE, Malaquias Ancelmo de Oliveira, e o presidente do Sicoob Central NE, José Evaldo Campos. Para Malaquias, o Congresso é uma porta aberta para o crescimento do cooperativismo na região, especialmente em Pernambuco. Somos apenas 150 mil pessoas cooperadas em nosso Estado para uma população de 11 milhões.Já o presidente do Sicoob Central NE, José Evaldo Campos, acredita que a realização do Concred será um marco para a unidade das cooperativas de crédito. O Governo, através do Banco Central, nos lançou um desafio maior: triplicar o número de empréstimos. Vamos mostrar que somos capazes e que o Governo tem que apoiar o cooperativismo.
O Concred irá reunir entre os dias 7 e 9 de outubro de 2020, no Centro de Convenções de Pernambuco, mais de 2,5 mil participantes, entre lideranças e gestores de todo o Brasil, além de palestrantes de renome nacional para debater os principais temas e desafios do Cooperativismo de Crédito. Realizado pela Confebras, o evento tem a co-realização do Sicoob Central NE e apoio do Sescoop/PE.
InclusãoO tema escolhido para o 13º Concred é Cooperativismo de Crédito 4.0: uma jornada de inclusão, integração e competitividade. Além de reunir palestrantes nacionais e internacionais -, o Concred abrigará uma feira de negócios de 9 mil metros quadrados, com cerca de 60 estandes, lançamentos de livros, talk shows e a concessão do Prêmio Concred Verde.
A Confebras entende que é importante levar o Cooperativismo de Crédito a todos os cantos do Brasil, propiciando prosperidade; inclusão bancária; justiça social; solidariedade e democracia. Isso emerge quando uma cooperativa se estabelece em uma localidade. Queremos valorizar e empoderar as pessoas, que são os objetivos basilares do cooperativismo, disse Macedo.
Em 2014, os municípios nordestinos atendidos por cooperativas de crédito representavam 8% do total, número tímido para o percentual nacional, que era de 43%. Em 2018, os índices cresceram em três pontos percentuais, sendo 11% e 47%, respectivamente. Para o presidente da Confebras, o momento é de comemorar o crescimento e estabelecer novos pilares para o setor. O Nordeste é um campo fértil de oportunidades para o cooperativismo, a próxima fronteira a ser explorada.
O Cooperativismo de Crédito é considerado uma forma mais acessível para obter bens, uma vez que os juros são mais justos. Cinco bancos detêm 90% do mercado, o que dificulta o acesso de pessoas comuns ao serviço financeiro que necessitam. O Banco Central tem incentivado alternativas como os bancos digitais, mas as cooperativas de crédito já têm enraizamento nas comunidades e têm crescido bastante. Oferecemos todos os serviços ofertados pelos bancos com um grande diferencial: por ser sociedade de pessoas pode oferecer todos os produtos com juros mais baixos, em média de 20% a 30% abaixo em relação ao mercado tradicional. No cooperativismo, cada associado é dono da cooperativa, e os resultados são distribuídos entre todos ao final de cada exercício, uma forma democrática e solidária de participação, resumiu.