Almada: alta taxa de sucesso na tomada de crédito por micro e pequenas empresas nas cooperativas de crédito
Representantes das cooperativas de crédito e do Banco Central do Brasil participaram no dia 25 de maio, de uma reunião virtual com o objetivo de analisar os efeitos da pandemia do novo coronavírus em suas operações. Como as cooperativas têm se portado nesse momento foi o principal item de pauta da reunião entre lideranças do setor e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A reunião virtual, que também permitiu atualizar as demandas prioritárias do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) e a visão do BCB sobre o atual contexto do país, contou com a presença do presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, de integrantes do Conselho Consultivo do Ramo Crédito (Ceco), dos deputados Evair de Melo, presidente da Frencoop, e Arnaldo Jardim, representante do Ramo Crédito na frente parlamentar. Os diretores do Banco Central, Maurício Costa, Otávio Damaso (Regulação) e Paulo Souza (Fiscalização), também participaram da audiência. Contexto atual O presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, apresentou informações sobre o contexto macroeconômico atual do país, ressaltando a mudança de comportamento da população, no contexto mundial, mesmo após a reabertura de algumas economias em relação à redução do consumo. Ou seja, as pessoas passaram a consumir menos em todos os países afetados pelo novo coronavírus. Alertou também para a expectativa de retomada mais célere dos países desenvolvidos e, numa velocidade menor, os países em desenvolvimento caso do Brasil. Destacou, também, as iniciativas do Banco Central para apoiar as cooperativas de crédito nesse momento de enfrentamento da crise, citando exemplos como: a) Ajustes no direcionamento das LCA (Res. 4.787, 23/3/20); b) Mudança nas condições de emissão de LF (Res. 4.788, 23/3/20); c) Ampliação da Liquidez (Ltel) - LF garantida (Res. 4.795, de 2/4/2020); d) Manutenção da classificação de risco de operações de crédito (Res. 4.803, 9/4/20); e) Redução temporária da exigência de capital no S5 (Res. nº 4.813, 30/4/20). O presidente do Banco Central também relatou que, apesar de todas as medidas adotadas pela instituição para que o crédito chegue aos tomadores, é possível identificar que a demanda subiu muito rapidamente. Sem prazo para terminar O presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas, agradeceu ao presidente do BC, Campos Neto, pelo compromisso com a pauta das cooperativas de crédito e manifestou sua preocupação em relação à falta de certeza e clareza sobre quando a pandemia e seus efeitos negativos devem terminar. Realidade do setor O coordenador do Ceco, Marco Aurélio Almada, fez questão de reconhecer o empenho do Banco Central em atender os pleitos apresentados pela OCB em março. Referiu-se, também à pesquisa realizada pelo Sebrae e Fundação Getúlio Vargas sobre a tomada de crédito pelas micro e pequenas empresas, destacando a alta taxa de sucesso na tomada de crédito por esse público nas cooperativas de crédito. Além disso, também foram discutidas questões relacionadas às travas legais do Programa Emergencial de Suporte a Empregos (Pese) que dificultam o acesso por parte dos cooperados; à eliminação da exigência da dupla alocação de capital nos sistemas cooperativos; ao risco dos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional e que podem implicar em uma quebra de contrato ou assimetria de informação; à importância do seguro agrícola para que os mecanismos de financiamento rural se potencializem cada vez mais. Importância econômica O deputado Evair de Melo, presidente da Frencoop, registrou a importância de um tratamento especial ao setor produtivo, tendo em vista a sua relevância para a economia do país. Falou sobre a necessidade da preservação dos contratos, se referindo aos projetos de lei que tramitam no Congresso Nacional, citando o caso das iniciativas que colocam em risco as instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional.