Diego Cristian Mafra, do Alto Vale do Itajaí para o mundo, fazendo manobras radicais em cima de uma moto
O associado do Sicoob Alto Vale, em Aurora (SC), Diego Cristian Mafra, há três anos está entre o seleto grupo dos 10 melhores pilotos de motos do mundo, na categoria Freestyle Street Bike. Diego é o único brasileiro a disputar campeonatos mundiais nessa categoria de manobras radicais em motos acima de 500 cilindradas e tem competido com até 80 pilotos de 26 países.
De 2017 a 2019 morou na China, com a esposa Tatiane Sautner e o filho Christian, hoje com três anos. Lá participou com um grupo de motoqueiros e pilotos de automóveis de vários países, de um espetáculo diário de acrobacias num parque no estilo Beto Carrero World.
Como os familiares vivem em Aurora e Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, Diego abriu uma conta no Sicoob Alto Vale e está muito satisfeito, porque conseguiu diminuir as taxas de manutenção da conta e o atendimento é muito especial, sempre consigo tudo que preciso com agilidade e toda a atenção.
De Aurora e Rio do Sul para o mundoDiego Cristian Mafra nasceu em Rio do Sul, no dia 8 de setembro de 1989. Os pais, Jaime Mafra, marceneiro e a Célia Mafra, costureira, moravam no bairro Albertina. Estudou na escola Paulo Cordeiro e, como todo garoto, sonhava em ser jogador de futebol. Na China chegou a disputar um campeonato regional na cidade em que reside, Zhangjiajie. Sou atacante, gosto de fazer gols, anima-se Diego.
O pai também era bom de bola e quando disputava o campeonato regional em Aurora, levava o filho no guidão da moto, desde os três anos de idade uma viagem de 15 quilômetros desde Rio do Sul.
A emoção das manobras radicais em motos surgiu desde então. O pai era louco, ri Diego. Tinha uma moto Honda XL 250, descia escadas e barrancos, gostava de correr, fazia de tudo e isso, pra mim, era só diversão, afirma.
A primeira moto Diego ganhou quando tinha uns 12 ou 14 anos uma Yamaha TT 125, motor dois tempos. Tínhamos um grupo de amigos e vivíamos fazendo trilhas por tudo que é lugar. Aos 18 anos fez a carteira de habilitação e foi numa apresentação do Motosul e aí vi que algumas das loucuras que eu fazia eram encaradas como esporte.
Durante a fase molequenunca teve acidentes graves. Os primeiros acidentes com fraturas surgiram durante treinamentos para competições. Primeiro quebrou o dedão do pé esquerdo, depois fraturou o ligamento da mão direita e, no ano passado, treinando em Rio do Sul, numa última manobra, quebrou a suspensão da moto, caiu e rompeu o ligamento da bacia lateral direita.
Mas nem tudo são loucuras. Tem muito de técnica, aprendizado e segurança. Diego teve ajuda de Menga e André, que me passaram o básico do esporte. O ponto além da curva, porém, veio com o piloto Ivan Haveroth, que me pôs na linha e mostrou que era preciso encarar o esporte com todo o profissionalismo. Haveroth, nascido em Rio do Sul, chegou a ser campeão sul-brasileiro e brasileiro na categoria.
No Brasil, essa categoria é denominada de Wheeling, um esporte radical com motocicleta ou bicicleta, com manobras em que força e equilíbrio são exigidos ao máximo dos pilotos. No exterior, o nome mais usado para esse esporte é Stunt ou Freestyle Street Bike. São motos com mais de 500 cilindradas e mais de dois cilindros (quanto mais cilindros, mais forte é a moto).
CompetiçõesEm 2012 Diego terminou em 4º lugar no Sul-Brasileiro e em 8º no brasileiro. A primeira vitória veio em 2014 no brasileiro e em 2015 no Sul-Brasileiro. Antes disso, havia se aventurado por Portugal, para viver do esporte, mas não deu muito certo, pois acabei num esquema de super exploração, num circo, e tive que fugir para a Alemanha, indo morar na casa de uma prima, Linda, que sempre me ajuda muito em minhas competições na Europa.
Decidido a viver do esporte, Diego gastou praticamente tudo que ganhava por mês para comprar uma Yamaha XJ6, de 600 cilindradas. Acho que ganhava cerca de R$ 1 mil por mês e paguei 48 prestações de uns R$ 800,00 os R$ 200,00 que sobravam era para pôr gasolina e treinar, lembra. E se virava com mais alguns negócios de e-commerce. Aí decidiu treinar forte: teria que ser sim ou sim, definiu como meta.
Em 2013 estudava Comunicação na Unidavi, em Rio do Sul, e resolveu interromper o curso, depois de receber um convite para participar do Campeonato Mundial na Polônia. Montei um projeto, levantei os custos e fui para Munique, na Alemanha, onde vive minha prima, para treinar por três meses e me preparar. Era o único brasileiro entre 80 pilotos de 26 países e chegou à semi-final.
Morou em vários lugares na Europa. Em 2014 foi para a Itália trabalhar em um show de carros e motos. Em 2016 retornou à Itália para um novo show, Stunt City Hotwheels. Também disputou o Campeonato Europeu Evotech, chegando em terceiro lugar. Há 10 anos um brasileiro não subia ao pódio em uma competição internacional o último foi Odair Salmazo, de São Paulo, informa.
Em 2016, Diego participou de outros eventos internacionais. No Campeonato Mundial, em Dubai, conquistou o 8º lugar. Nesta competição foram convidados somente os melhores, um representante de cada Continente e mais 10 pilotos árabes. Em 2017, também em Dubai, ficou em 9º.
Apesar de ser um dos melhores do mundo, não é uma profissão fácil. O esporte ainda não tem grandes premiações o campeonato europeu paga cerca de R$ 2 mil dólares ao campeão. Eu me banco desde 2014 só com o esporte, fazendo shows e com alguns poucos patrocínios, informa.
Nessas andanças pelo mundo, aprendeu a falar inglês, italiano e espanhol e acho que aprendi também uns 5% do chinês e do alemão, diverte-se Diego.
Em 2017 foi convidado a morar na China e se integrar ao Stunt Master Team, uma empresa italiana com 20 pilotos internacionais que faz apresentações com carros e motos. Na China, chegou a se apresentar em oito cidades.
A cidade de Zhangjiajie, onde residiu, está localizada na província de Hunan e é famosa por suas montanhas verticais e passeios de tirar o fôlego. Tem o teleférico de maior extensão do mundo, com sete quilômetros de extensão, chegando a 1.300 metros de altura (o Pão de Açúcar tem 396 metros de altura). A cidade também abriga a maior ponte de vidro do mundo, com 430 metros de comprimento e 300 metros de altura, informa Diego. Parece o lugar ideal para um piloto que gosta de aventura. Gosto do lugar, tem muita liberdade, andamos os três na mesma moto, mas vejo famílias com cinco ou seis pessoas em cima de uma moto, afirma. Coisas da China!
Entre os top tenEm 2018, Diego disputou aquele que é considerado o maior campeonato do mundo, o Czech Stunt Day, na República Checa, com 60 pilotos de 20 países. Terminou em 8º lugar e, assim, pelo terceiro ano consecutivo, está entre os 10 melhores pilotos do mundo na categoria.
Nesses campeonatos mundiais, o piloto tem três minutos para mostrar o que sabe e Diego chega a fazer 30 manobras diferentes. Além disso, há um bônus de 30 segundos para tentar a melhor manobra o chamado Best Trick, que garante de zero a 10 pontos. A mais radical para ele é guiar a moto de costas e empiná-la com a roda da frente, sentado no tanque. É bem difícil, qualquer erro ali e a moto, que pesa 190 quilos pode cair em cima de você, explica. Geralmente as competições são decididas por três juízes, mas na República Checa são oito juízes e um público de aproximadamente mil pessoas.
Em 2017, Diego criou uma pista no terreno da própria casa, em Aurora. Cimentou uma área de 20x40 metros, cercada de pneus velhos. Estava com dificuldades para treinar em Rio do Sul, no Pavilhão Hermann no Centro de Eventos, pois nem todos compreendem o esporte e acham que é alguém fazendo arruaça, lamenta.
A meta é continuar entre os 10 melhores do mundo e, claro, ir melhorando a pontuação, mas Diego não se sente pressionado, pois gosto mais de me divertir em cima da moto. Com o esporte, fez muitos amigos de vários lugares do mundo. O campeão mundial Mike Jensen (Dinamarca) já esteve aqui em minha casa, em Aurora. Também o Adam Peschel (República Checa) e outros. Pressão por resultados só sinto ao competir no Brasil, porque aqui, é claro, as pessoas têm uma grande expectativa sobre o meu desempenho, tendo em visto as conquistas internacionais, observa.
Com 30 anos, Diego vê chegar, cada vez mais, jovens pilotos, mas acha que pode ir mais longe, pois há grandes competidores até com mais de 40 anos.
Agora estou me especializando, também, em manobras radicais com carros. Na China já pilotei, também, por seis meses, um BMW, fazendo aquelas manobras tradicionais tipo cavalo de pau, andar em duas rodas e outras, explicou. Uma vida muito diferente para quem já foi, no início da vida profissional, floricultor, auxiliar de caixa, auxiliar de padaria, soldador, auxiliar de marceneiro e atuou também com e-commerce.
Atualmente vive em Penha (SC) e sempre que pode, retorna para Aurora. Nos adaptamos bem na China e em vários lugares onde já vivemos, mas você é sempre um estranho lá fora, não há nada melhor do que estar no seu país, na sua cultura, na sua cidade, com os amigos e todas as memórias do lugar onde você viveu a infância e adolescência, garante.
- Diego, e o que gosta de fazer nas horas de folga?
- Treinar ou passear de moto. Vivo, desde os três anos de idade, em cima de uma moto.
Nada mais natural para um campeão.